O “ 25 de Abril (segundo Vasco Pulido Valente)
O “25 de Abril” foi feito porque o exército, digo
bem, o exército, (a Força Aérea e a Marinha não passaram de pequenos comparsas)
não queria continuara a guerra. Os “capitães” (patente genérica) que se
pronunciaram contra a ditadura não tinham um plano, ou sequer uma ideia, para o
país. Normalmente pouco educados, se pensavam no assunto, era para partilhar os
lugares-comuns “socializantes” da oposição urbana e estudantil. Por si só, o
famoso “Programa do MFA”, incoerente e sumário, revela bem o vácuo para que se
empurraram os portugueses, tanto aqui como em África. Como a seguir se
constatou, ninguém mediu com seriedade, ou sensatez, as prováveis consequências
do “Programa”. A irresponsabilidade típica entre militares, reinava. Pior
ainda: como não se podia decentemente pôr um capitão ou major à frente
do Estado, o MFA entrou numa aliança indefinida com o general Spínola e o General
Costa Gomes. Megalómano e autoritário e, além disso, ignorante, Spínola “escrevera”
um livro (de facto, escrito por oficiais da sua confiança), o Portugal eo Futuro, em que propunha uma “Comunidade
Lusíada” ou coisa assim, e em que velhos preconceitos se misturavam a uma
inconcebível imprudência e à mais vertiginosa estupidez. Logo do princípio
existiram, portanto, dois programas, um pior que o outro, e duas facções.
Faltava “sair (à rua)” e estabelecer o caos.
A revolução, propriamente dita, nunca existiu.
Existiu, a partir de 28 de Setembro de 1974, uma tentativa, conduzida pelo
Partido Comunista, para tomar conta do Estado e estabelecer pela força em
Portugal um regime soviético.
…
“O 25 de Abril”, Diário de Notícias, 2004
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