Por um  Céu mais Diversitário, Inclusivo e Equitativo

 

Como ateu, feminista, anti-racista, ambientalista e sexualmente inclusivo, eu, pessoalmente, não quero ir para o Céu.

Mas tenho notado que os da minha laia estão largamente sub-representados entre as almas ressuscitadas - de facto, tanto quanto sei, nenhum de nós, jamais alcançou o Céu!

Trata-se duma prova cabal de que os responsáveis do Céu são intolerantes e preconceituosos em relação aos pecadores não arrependidos - convenhamos que, historicamente, o Céu, nunca foi um local muito equitativo.

Mas, se olharmos duma perspectiva politicamente correcta, veremos que aqueles que sempre foram considerados maus, afinal são bem melhores dos que, até aqui, eram vistos como “Justos”. Na verdade aqueles, são geralmente pessoas bem mais simpáticas, gentis, sensíveis, preocupadas com causas sociais e ambientais, numa palavra, mais "alegres (gays)", “fofinhas”,"na boa", "sem stress" do que os cristãos - como se pode ver pela flagrante violência e injustiça configuradas pela exclusão dos réprobos do acesso ao Céu.

Claramente, este Apartheid celeste, tem de acabar.

 Afinal, aqueles que rejeitam Jesus Cristo, também são seres humanos e têm o direito constitucionalmente consagrado e inalienável a se deslocarem aonde bem lhes apetecer e de escolherem ser o que bem entenderem.

Poder-se-á argumentar que, para quem quiser ir para o Céu, bastar-lhe-á arrepender-se e confessar os seus pecados; mas, … e, as pessoas que, como eu, não querem de todo arrepender-se; ou que simplesmente odeiam Cristo; ou que acham a Sua doutrina desactualizada; ou que aceitam apenas certas partes dela e não estão especialmente interessados em ir para o Céu? … Esse é que é o problema!

Estamos perante uma intolerância sistémica que não pode ser de modo algum tolerada em pleno século XXI; os Justos criaram no Céu um ambiente hostil e tóxico para com os precitos – com o propósito confesso de os excluir.

Esta discriminação deve, portanto, ser aniquilada; e, no Céu, tem de ser criado um ambiente diversitário, acolhedor em relação aos condenados, pois só assim eles poderão vir a estar, aí, adequadamente representados.

Mas, não basta passar a admitir no Céu aqueles que rejeitam Cristo; esta injusta exclusão só terminará quando eles deixarem de ser, no Paraíso, apenas uma pequena minoria.

Assim sendo, é preciso parar imediatamente de “julgar” os pecadores; e, o ambiente do Céu, deverá ser expurgado de qualquer referência a “Deus”, a “Cristo”, à “Criação divina”, etc. susceptível de poder ser apercebida como ofensiva, pelos réprobos.

(Depois de séculos de desigualdade e discriminação, até a mais leve referência à Divindade pode ser apercebida, por eles, como uma micro-agressão dolorosa - portanto, o processo de requalificação do Céu terá de ser detalhado e abrangente.)

O objectivo é que, tanto o pecado como os pecadores, passem a ser encarados de um modo positivo - como escolhas válidas de estilo de vida; e, para isso, séculos de propaganda e obscurantismo anti-pecado terão de ser apagados.

O pecado deverá ser, pelo contrário, promovido, elogiado, subsidiado e recompensado, no intuito de se implementar uma nova e mais elevada ética segundo a qual os pecadores não terão de se envergonhar da sua condição e pelo contrário, deverão antes orgulhar-se dos seus pecados – espontânea e naturalmente.

Sem isso, o nosso trabalho estaria incompleto.

No curto prazo, isso significa que as demarches de admissão ao Céu terão de ser supervisionadas segundo as melhores práticas de gestão e governança, com o fim de agilizar os respectivos procedimentos e melhorar, através da promoção duma mobilidade mais sustentável, as acessibilidades ao Céu.

Felizmente, o Inferno está em condições de oferecer os serviços de outsourcing e consultadoria necessários para persecução de semelhantes objectivos, criando no Céu um  departamento de Recursos Humanos  que promova uma supervisão equitativa de todas as actividades celestes.

No curto prazo, para combater as referidas assimetrias sistémicas, será, pois, necessária uma fase inicial de nivelamento forçado, de Acção Afirmativa, criando-se quotas de admissão para anti-cristãos - mesmo ao mais alto nível - e implementando um sistema de descriminação positiva que favoreça o pecado.

Por outras, palavras, o Céu será  administrado pelo Inferno e Satanás será o seu CEO.

Claro que, por uma questão de tolerância, inclusividade e diversidade os Justos continuarão a ser muitíssimo bem-vindos no “Céu Recomeçado”... desde que (como todos os outros, indiscriminadamente) estejam dispostos a aderir ao Politicamente Correcto, jurem opor-se a Deus, se comprometam a mal-dizer Cristo e demonstrem vontade de trabalhar activa e entusiasticamente para destruir para sempre esse sistema de exclusão, desigualdade e discriminação, que dá pelo nome de “Criação Divina”.

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