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  Façamos uma última observação. O diálogo propugnado  pelo Concílio Vaticano II  é um diálogo subjectivista optimista, isto é, um diálogo que crê progredir continuamente pela superação da mera e simples contradição, não ao modo escolástico, mas ao modo hegeliano. De maneira que, o que se tem, é um diálogo sem adversários que une sempre e nunca traz divisão. Esse aspecto tão essencial do pensamento conciliar, sendo o arcabouço do novo conceito de “Comunhão dos Santos” (que, para o Concílio, é de todos os homens) e o fundamento da sua esperança, parece-nos talvez o mais perverso de todos, porque acredita ter encontrado a “Comunhão” na complementaridade dos contraditórios. Mas, nesse caso, estaríamos buscando o crescimento da verdade pelo acréscimo da falsidade e o aumento do bem pela contribuição do mal. Numa afirmação de Gaudium et Spes , que consideramos a mais desastrosa feita pelo Concílio, ao mencionar-se “a ajuda que a Igreja recebe do mundo moderno”, lemos o seg...
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                                      O “ 25 de Abril (segundo Vasco Pulido Valente)   O “25 de Abril” foi feito porque o exército, digo bem, o exército, (a Força Aérea e a Marinha não passaram de pequenos comparsas) não queria continuara a guerra. Os “capitães” (patente genérica) que se pronunciaram contra a ditadura não tinham um plano, ou sequer uma ideia, para o país. Normalmente pouco educados, se pensavam no assunto, era para partilhar os lugares-comuns “socializantes” da oposição urbana e estudantil. Por si só, o famoso “Programa do MFA”, incoerente e sumário, revela bem o vácuo para que se empurraram os portugueses, tanto aqui como em África. Como a seguir se constatou, ninguém mediu com seriedade, ou sensatez, as prováveis consequências do “Programa”. A irresponsabilidade típica entre militares, reinava. Pior ainda: como não se podia decentemente pôr um capitão ou major à fre...
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  Nos últimos dias, surgiram notícias sobre a aprovação, no Véneto, de uma lei regional que regulamenta o suicídio assistido. O Véneto é a quarta região a aprovar tal legislação, mas a primeira governada por uma administração de centro-direita. Este facto reveste-se, portanto, de um significado político e cultural que se estende muito além das fronteiras regionais: demonstra como o princípio da autodeterminação absoluta penetrou agora em coligações que, pelo menos nominalmente, deveriam estar empenhadas na defesa da vida, da família e da ordem natural. O suicídio assistido consiste na busca deliberada da morte por parte de alguém que, acreditando não ter mais razões para viver, pede às instituições públicas que o ajudem a pôr fim à sua própria existência. A questão, portanto, não diz respeito a uma decisão puramente privada. No momento em que a lei intervém, o suicídio deixa de ser considerado uma tragédia a ser evitada e torna-se uma possibilidade reconhecida e institucionalment...
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  A intrínseca contradição do humanismo leva-o a disfarçar-se com a mentira da democracia. Tanto a contradição como a mentira são flagrantes, no entanto mantêm-se por um equilíbrio de tenções que não deixa de ter algo de misterioso. O humanismo quer liberdade e para isso sacudiu o jugo da autoridade. Conseguiu-o totalmente, no que diz respeito à autoridade eclesiástica, com a Reforma protestante; e em relação à autoridade política com a revolução francesa. Porém, sem a autoridade de um Bom Pastor as ovelhas são devoradas pelos lobos ou seja, para as elas, com o humanismo, rapidamente se acaba   a liberdade   e, os lobos, rapidamente ficam sem ovelhas.   A Contradição é, pois, evidente: não pode haver liberdade para todos sem uma autoridade que proteja o bem comum. Mas, como o humanismo deixando de servir a Deus, serve a Mamom/o dinheiro, a liberdade que promove só pode ser a dos lobos, ou seja, dos mais ricos e poderosos. E, para disfarçar este facto, invento...
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  Depois de duas guerras mundiais o Concílio Vaticano II não podia deixar de falar na paz entre os povos. Iria o Concílio oferecer o Papa, Vigário do Príncipe da Paz, como instrumento de Deus para estabelecer no mundo a paz de Cristo? Esta sempre foi a função que o Romano Pontífice cumpriu na cristandade tradicional. Mas não,   esquecendo que a única autoridade capaz de promover eficazmente a paz internacional é o Papa, o concílio advogou a constituição de uma autoridade política mundial  para impedir as guerras  com poder sobre as nações: “devemos procurar com todas as nossas forças preparar uma época em que, por acordo das nações,   possa ser absolutamente proibida qualquer guerra. Isto requer o estabelecimento de uma autoridade pública universalmente reconhecida por todos, com poder eficaz para garantir a segurança, o cumprimento da justiça e o respeito dos direitos” (n.82). Ora bem, por necessidade teológica, a única autoridade com poder eficaz para impe...
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  Angelica e Tancredi passavam naquele momento diante dele, a mão direita enluvada dele apertando a cintura dela, de braços estendidos e compenetrados, os olhos de cada um fixos nos do outro. O negro do fraque dele e o rosa do vestido dela, misturados, formavam uma estranha joia. Eles ofereciam o espectáculo mais patético de todos, o de dois jovens apaixonados dançando um com o outro, cegos aos recíprocos defeitos, surdos aos avisos do destino, com a ilusão de que todo o caminho da vida será liso como o soalho do salão, actores ignaros a quem o encenador dá a representar o papel de Romeu e Julieta omitindo a cripta e o veneno, já previstos no guião. Nem um nem outro eram bons, cada um calculista e inchado de objectivos secretos; mas ambos eram queridos e comoventes enquanto as suas nada límpidas mas ingénuas ambições eram apagadas pelas palavras de jocosa ternura que ele lhe murmurava ao ouvido, pelo perfume dos cabelos dela, pelo recíproco abraço daqueles corpos destinados a morre...
  Com a sua reviravolta antropocêntrica, o humanismo do século XIV, deixando de procurar o Reino de Deus, pôs-se inevitavelmente ao serviço do “outro senhor”, Mamon - o Dinheiro: “Ninguém pode servir a dois senhores, porque aborrecerá a um para agradar ao outro; entregar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” (Lc 16, 13). Os reis cristãos deixaram de obedecer a Deus na pessoa do Seu Vicário na Terra, ignorando os seus conselhos, em particular o de manter os judeus, mais as suas praticas usurárias, contidos nos seus guetos, e foram caindo de baixo da tirania de Satanás, que de pronto recuperou a direcção da economia através do seu braço secular, a Sinagoga. Padre Álvaro Calderon, Prometeu, A Religião do Homem, Ensaio Sobre a Hermenêutica do Concílio Vaticano II