"Há algo que une a magia e a ciência aplicada, ao mesmo tempo que as separa da sabedoria das eras anteriores. Para os sábios de outrora, o problema fundamental era como conformar a alma à realidade, e a solução era o conhecimento, a auto-disciplina e a virtude. Tanto para a magia como para a ciência aplicada, o problema é como subjugar a realidade aos desejos dos homens: a solução é uma técnica; e ambas, na prática desta técnica, estão prontas a fazer coisas até então consideradas repugnantes e impiedosas - como desenterrar e mutilar os mortos."
Como regra geral, o «significado» das obras da música clássica ocidental é notoriamente difícil de expressar, excepto com termos técnicos especializados. Uma maneira de abordar este tema é considerá-lo a partir da posição eminentemente defensável de que, sub specie aeternitatis , a forma de arte elevada que a música clássica constitui, acede realmente a um campo de comunicação superlativamente elevado e supra-linguístico que desafia as definições meramente linguísticas e as restrições espaço-temporais da linguagem humana comum. Na língua largamente esquecida da tradição europeia, o latim, este campo de comunicação dimensionalmente expandido era denominado musica universalis , ou seja, a harmonia do universo resultante da interacção das suas várias esferas (celestes). Nessa Tradição — e noutras Tradições não europeias — essa Música das Esferas era entendida como uma ressonância da primeira ordem do Criador, porque o universo criado foi chamado à existência pela S...

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