Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2026
  Foi esta bela democracia republicana que Salazar veio substituir: Em 1915, o Partido Republicano Português, PRP (de Afonso Costa), tendo tomado o poder na revolta de 14 de Maio, desterrou Machado de Santos e Pimenta e Castro (republicanos moderados) para os Açores, a 11 de Junho e a 13 fez eleições. Segundo a lei eleitoral por ele próprio engendrada, os eleitores eram apenas 48,8% da população masculina maior; destes só se conseguiram recensear 76,4%; e destes só votaram 60%.  Ou seja, acabaram por só votar 18,6% da população masculina maior - isto é 280 000 pessoas numa população de 6 milhões. Em Lisboa, que tinha 435 000 habitantes, graças ao terror instalado pelos carbonários, votaram 22 876 eleitores em 56 390 recenseados, tendo 16000 votado no PRP, praticamente o número de revolucionários que tinham tomado parte no 14 de Maio. "Tudo se passou numa atmosfera de terror mais absoluto". Ver Vasco Pulido Valente, "A República Velha", 1992   "Pouco depois do ...
  O INÍCIO DA CONFUSÃO Lendo, sobre o Concílio Vaticano II, “Uma História Nunca Escrita”, de Roberto de Mattei, chamaram-me a atenção duas séries de fenómenos que se repetiram ao longo de todo o Concílio, ao ponto de marcarem para sempre a sua fisionomia no quadro da história das ideias no século 20. Por um lado, aparece o contraste entre a malícia e a destreza política da minoria progressista, cujo activismo incansável venceu todas as resistências e impôs à assembleia praticamente tudo o que desejava; e, por outro, a ingenuidade patética dos conservadores, que chegaram ali despreocupados, sem ter ideia de que os modernistas se estavam fazendo de mortos para assaltar o coveiro.   Na verdade, a maioria do episcopado acreditava piamente que o modernismo teológico condenado no Syllabus de Pio IX em 1864 estava morto e enterrado. O Concílio mostrou que ele estava vivo, reaparecendo, com força avassaladora e reduzindo os oponentes ao estado de estupor paralisante, de indignaç...