Foi esta bela democracia republicana que Salazar veio substituir:
Em 1915, o Partido Republicano Português, PRP (de Afonso Costa), tendo tomado o poder na revolta de 14 de Maio, desterrou Machado de Santos e Pimenta e Castro (republicanos moderados) para os Açores, a 11 de Junho e a
13 fez eleições.
Segundo a lei eleitoral por ele próprio engendrada, os eleitores eram apenas 48,8% da população masculina maior; destes só se conseguiram recensear 76,4%; e destes só votaram 60%. Ou seja, acabaram por só votar 18,6% da população masculina maior - isto é 280 000 pessoas numa população de 6 milhões.
Em Lisboa, que tinha 435 000 habitantes, graças ao terror instalado pelos carbonários, votaram 22 876 eleitores em 56 390 recenseados, tendo 16000 votado no PRP, praticamente o número de revolucionários que tinham tomado parte no 14 de Maio. "Tudo se passou numa atmosfera de terror mais absoluto".
Ver Vasco Pulido Valente, "A República Velha", 1992
"Pouco depois do "5 de Outubro", António José de Almeida perguntou, melodramaticamente, se 300 000 republicanos chegavam para conter 5 milhões de portugueses. A pergunta era boa. Sobretudo porque, na melhor das hipóteses, os republicanos não passavam de 100 000."
"A República democrática para se salvar tinha de pôr os monárquicos à margem da vida política, isto é, a esmagadora maioria do país.
A República seria a revolução permanente ou coisa nenhuma. E, a permanência da revolução significava a permanência do terror; terror desde o princípio."
Vasco Pulido Valente, "A República Aprender com a história para não repetir os erros.
Reparem no paralelismo com a situação actual europeia em que, por motivos semelhantes, nos querem à viva força arrastar para uma guerra com a Rússia
(e reparem como os iluminados e progressistas republicanos não hesitaram em utilizar o seu próprio povo como carne para canhão em prol dos seus desígnios políticos, enquanto o tacanho e reaccionário Salazar tudo fez para nos poupar à carnificina da segunda guerra mundial):
"Os "democráticos" (republicanos do PRP de Afonso Costa) não eram estúpidos nem cegos, por muito que o fanatismo se pareça com a estupidez e a cegueira. Apesar do simulacro de eleições e toda a propaganda em contrário, nenhum dos grandes dirigentes do PRP ignorava o seu isolamento social e político.
O PRP sentia, obviamente, o risco da situação e procurou sempre uma maneira de se "nacionalizar", ou seja, de parecer algo mais do que uma esquálida tirania. Uma guerra talvez pudesse servir esse propósito. Mas não uma guerra qualquer: só uma guerra que envolvesse o país inteiro e verdadeiramente o mobilizasse. Foi essa a lógica oculta da política democrática (PRP), que, nos anos seguintes, iria espantar o mundo inteiro.
...
A Inglaterra nunca imaginou que as coisas pudessem ser assim. Contra a evidência, acreditou que o bom senso dos democráticos os coibisse de envolver um país pobre, exausto, atrasado e anárquico na terrível carnificina da frente europeia, sem meios militares, ou dinheiro para os pagar, perante a absoluta indiferença nacional. Não calculou que Afonso Costa e os seus sócios vissem na intervenção na guerra o método perfeito para disciplinar o país e o converter à República.
A "beleza moral" deste pensamento, óbvia para Chagas ou para Afonso Costa, escapava completamente aos ingleses. Mas não deve escapar a quem deseje compreender a grotesca acumulação de puras insanidades que se seguiu."
Vasco Pulido Valente, "A República Velha", 1992", 1992.
"A República democrática para se salvar tinha de pôr os monárquicos à margem da vida política, isto é, a esmagadora maioria do país.
A República seria a revolução permanente ou coisa nenhuma. E, a permanência da revolução significava a permanência do terror; terror desde o princípio."
Vasco Pulido Valente, "A República Aprender com a história para não repetir os erros.
Reparem no paralelismo com a situação actual europeia em que, por motivos semelhantes, nos querem à viva força arrastar para uma guerra com a Rússia
(e reparem como os iluminados e progressistas republicanos não hesitaram em utilizar o seu próprio povo como carne para canhão em prol dos seus desígnios políticos, enquanto o tacanho e reaccionário Salazar tudo fez para nos poupar à carnificina da segunda guerra mundial):
"Os "democráticos" (republicanos do PRP de Afonso Costa) não eram estúpidos nem cegos, por muito que o fanatismo se pareça com a estupidez e a cegueira. Apesar do simulacro de eleições e toda a propaganda em contrário, nenhum dos grandes dirigentes do PRP ignorava o seu isolamento social e político.
O PRP sentia, obviamente, o risco da situação e procurou sempre uma maneira de se "nacionalizar", ou seja, de parecer algo mais do que uma esquálida tirania. Uma guerra talvez pudesse servir esse propósito. Mas não uma guerra qualquer: só uma guerra que envolvesse o país inteiro e verdadeiramente o mobilizasse. Foi essa a lógica oculta da política democrática (PRP), que, nos anos seguintes, iria espantar o mundo inteiro.
...
A Inglaterra nunca imaginou que as coisas pudessem ser assim. Contra a evidência, acreditou que o bom senso dos democráticos os coibisse de envolver um país pobre, exausto, atrasado e anárquico na terrível carnificina da frente europeia, sem meios militares, ou dinheiro para os pagar, perante a absoluta indiferença nacional. Não calculou que Afonso Costa e os seus sócios vissem na intervenção na guerra o método perfeito para disciplinar o país e o converter à República.
A "beleza moral" deste pensamento, óbvia para Chagas ou para Afonso Costa, escapava completamente aos ingleses. Mas não deve escapar a quem deseje compreender a grotesca acumulação de puras insanidades que se seguiu."
Vasco Pulido Valente, "A República Velha", 1992", 1992.
Comentários
Enviar um comentário