Que mesquinhos são tantas vezes os conceitos que temos das nossas relações com Deus! O Senhor, é ele, e não nós. Foi Ele que nos criou e nos ordenou para a glória, a qual poderemos alcançar realizando em tudo a sua vontade. Esta é a realidade, que tantas vezes esquecemos arrastados pelo impulso dos nossos desejos.

Em São joão da Cruz encontramos, pelo contrário, um sentido profundíssimo da sobre-eminência divina. Deus é, e nós, por nós mesmos, não somos nada; existimos unicamente para Deus! Deus é que é o centro do universo, e não nós! A nossa perfeição e santidade consiste em estarmos unidos a Ele, e não em tornarmo-nos homens “bonzinhos” que “desenvolveram o melhor e o mais harmonicamente possível as suas virtudes humanas”, como nos queria fazer crer uma moderna “fórmula de santidade”.

É a graça divina que nos torna santos: ela une-nos a Deus e tende, com o seu desenvolvimento, a fazer que vivamos em Deus, e Deus em nós. Dela resultará, também, necessariamente, a harmonia de todas as nossas faculdades, que se aplicarão, cada uma a seu modo, a alcançar com a sua acção, “ a honra e a glória de Deus”; mas isto será simplesmente um efeito da santidade que, como definiu o Papa Pio XI, de veneranda memória, não é senão “ a vida cristã vivida segundo o pensamento e a vontade do divino Criador”. A santidade não é antropocêntrica, é teocêntrica. A santidade não é vida simplesmente humana, é vida cristã, o que significa sobrenaturalização da vida humana por obra da graça divina.

Não somos nós que ditamos leis a Deus, mas é Ele que no-las impõe e, ao impô-las, nos indica o caminho da verdadeira felicidade, o caminho que conduz à união com Ele, nossa beatitude. Só quando nos unirmos ao nosso Princípio seremos verdadeira e totalmente felizes

Gabriel de Santa Maria Madalena,  in “A União com Deus Segundo São João da Cruz”

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