Das palavras
e do exemplo de Jesus Cristo não surge nenhum optimismo histórico, bem pelo
contrário: “ Quando vier o Filho do Homem, ainda haverá Fé sobre a Terra?” (Lc
18, 8); “Será tão terrível a tribulação , como não houve nenhuma semelhante
desde o princípio do mundo nem haverá jamais. E se esses dias não fossem
encurtados em atenção aos eleitos,
ninguém se salvaria” (Mat24, 21).
Porque haveria
a Igreja de esperar, no tempo histórico, algo melhor do que teve Cristo, que
acabou os seus dias cruxificado?! Porém mesmo que esteja à espera de ser
cruxificada pelo Anticristo, não o espera com pessimismo, porque esse será o
momento de devolver ao seu Redentor o sinal mais puro doa amor, que é dar a
vida pelo seu amigo. Ela sabe que neste aparente fracasso da carne há um
verdadeiro triunfo do espírito e que enquanto conserve a disposição para o
martírio, as portas do inferno (isto é, as potências correptoras do maligno)
nunca triunfarão: “ No mundo tereis grandes tribulações, mas tende confiança
porque Eu venci o mundo” (Jo 16, 33). E, isto que dizemos da Igreja em geral,
deve-se dizer do fiel cristão em particular, pois também não deve esperar nada
de bom dos dias da sua história pessoal, mas, sim dar o testemunho de
sacrifício.
É justamente esta actitude que a revolução
humanista conciliar vai repudiar como “pessimista”, querendo dar à vida e à
história do homem uma visão mais “positiva”.
A panaceia universal do tratamento conciliar para
o mundo pode resumir-se na estúpida frase dos anos 70: “ Sorri, Deus ama-te!”.
Porque se, como entende a teologia tradicional, o fim da Criação é a Glória de
Deus, temos motivos para grande seriedade, porque o Criador poderia reclamar a
Sua Glória com um castigo exemplar, aos homens que se condenam por sua própria
culpa. Mas, se o fim da Criação é, como entendeu o Concílio, a glória e
dignidade da pessoa humana, há motivos para todos sorrirem, pois Deus não pode
falhar na sua finalidade: não deverá ninguém que perca a sua dignidade, faça o
que fizer. Uma consequência metafísica desta inversão antropológica dos fins da
criação, é a salvação universal de todos os homens. Só se condenaria aquele que
perdesse a sua condição de pessoa humana.
Padre Álvaro Calderon, Prometeu, A Religião do
Homem, Ensaio Sobre a Hermenêutica do Concílio Vaticano II
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