De um modo muito esquemático pode-se dizer que o humanismo nasceu, no século XIV, duma rejeição da autoridade doutrinal e moral da Igreja.

Mas, como sem autoridade nenhuma sociedade subsiste, à medida que se foi destruindo a autoridade da Igreja, foi-se tentando fundar um novo tipo de autoridade a que se pode chamar moderna. Se se atribuir a origem deste Processo a Marsílio de Pádua e a sua maturação a Maquiavel, não se andará muito longe da verdade. O primeiro inverteu a relação entre o poder político e o eclesiástico, na ordem temporal, justificando a existência de uma autoridade política livre de qualquer subordinação ao magistério da Igreja. O segundo vai levar o processo ao seu termo libertando o poder político das restrições de quaisquer princípios doutrinais ou morais. Acontece que o exercício maquiavélico do poder, necessita duma justificação que disfarce a sua brutalidade e crueza aos olhos dos mais ingénuos. E assim nasceu o sofisma democrático que mais não é que uma máscara que oculta o poder discricionário do Estado Moderno, totalmente livre das peias de quaisquer princípios  doutrinais (ou, criando ele próprio os princípios que lhe forem convenientes, a cada momento) e de quaisquer responsabilidades morais (ou, decidindo ele próprio, ad hoc, o que é bom ou o que é mau.)

O Concílio Vaticano II significou a adopção pela hierarquia da Igreja Católica, desta nova forma de exercício do poder.

Padre Álvaro Calderon, Prometeu, A Religião do Homem, Ensaio Sobre a Hermenêutica do Concílio Vaticano II

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