Dissemos que o Concílio Vaticano II substituiu o Cristianismo (a Religião de Cristo) pelo humanismo (a religião do homem). O humanismo nasce no Renascimento e consiste na defesa de valores meramente humanos, os quais haviam sido, em certa medida, sacrificados pela alta espiritualidade do século XIII, idade de ouro da Cristandade.

Com efeito a altíssima perfeição cristã (a Santidade), tem uma conotação necessariamente negativa do ponto de vista meramente humano, pois resume-se às três negações evangélicas: negação da riqueza (aconselha a pobreza); negação dos afectos do coração (aconselha a castidade); negação da vontade própria (aconselha a obediência). Depois de termos caído, com Pecado Original, na escravidão do mundo, do diabo, e da carne, o único caminho que se nos abre para a verdadeira liberdade, é o traçado por Nosso Senhor: o caminho da Cruz.

Mas, quando os cristãos modernistas descobrem que para entrarem na Glória do Senhor têm de passar, com Ele, pela Sua Paixão e Morte, abandonam-No e voltam para trás. O humanismo conciliar consiste neste movimento de apostasia  e retrocesso. Foi a reacção da dimensão humana perante as desmedidas exigências da santidade.


Padre Álvaro Calderon, Prometeu, A Religião do Homem, Ensaio Sobre a Hermenêutica do Concílio Vaticano II

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