Os passarinhos têm a lei natural gravada no seu
coração e se os deixarmos em liberdade eles construirão ninhos para os seus
filhos, como é próprio da sua natureza.
Ora o Concílio Vaticano II entendeu que a lei
natural também está impressa de forma semelhante no coração do homem e como, devido
ao seu optimismo humanista, o Concílio esqueceu que o coração do homem está ferido pelo
pecado original, pensou que basta deixá-lo em liberdade para que ele desate a
construir em paz a sua casita e a fazer o bem.
O único problema com esta crença é que é
completamente errada. O homem é o único animal social que não nasce com instintos e que deve ser educado. Deve,
justamente, receber a sua formação moral através dos ensinamentos da sabedoria,
em conformidade com a prudência e demais virtudes. E a sabedoria não é um
património pessoal de cada um, mas o bem mais universal e imutável dos bens
criados.
Não convém, pois, falar, como faz o concílio, em “formação
da consciência”, como se cada um se devesse comportar segundo os ditames da sua
consciência subjectiva; mas deve-se, antes, falar em “ formação na ciência (em
relação às coisas criadas)”, ciência que deve ser verdadeira sabedoria (em
relação às coisas divinas), sabedoria que deve ser sabedoria cristã, pois não
há outra que possa indicar ao homem o caminho da perfeição e da salvação.
A educação verdadeira só pode alcançar-se mediante
a Igreja, Mãe e Mestra.
O Concílio transformou a Igreja numa mãe moderna
que renuncia à sua obrigação, deixando que os filhos se formem em liberdade
como os passarinhos. Porém um filho que não é ensinado e repreendido, perde-se.
E perde a sua mãe.
Padre Álvaro Calderon, Prometeu, A Religião do Homem, Ensaio Sobre a Hermenêutica do Concílio Vaticano II
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