Façamos uma última observação. O diálogo propugnado  pelo Concílio Vaticano II  é um diálogo subjectivista optimista, isto é, um diálogo que crê progredir continuamente pela superação da mera e simples contradição, não ao modo escolástico, mas ao modo hegeliano. De maneira que, o que se tem, é um diálogo sem adversários que une sempre e nunca traz divisão.

Esse aspecto tão essencial do pensamento conciliar, sendo o arcabouço do novo conceito de “Comunhão dos Santos” (que, para o Concílio, é de todos os homens) e o fundamento da sua esperança, parece-nos talvez o mais perverso de todos, porque acredita ter encontrado a “Comunhão” na complementaridade dos contraditórios. Mas, nesse caso, estaríamos buscando o crescimento da verdade pelo acréscimo da falsidade e o aumento do bem pela contribuição do mal.

Numa afirmação de Gaudium et Spes, que consideramos a mais desastrosa feita pelo Concílio, ao mencionar-se “a ajuda que a Igreja recebe do mundo moderno”, lemos o seguinte: “a Igreja reconhece que muito aproveitou e pode aproveitar da própria oposição daqueles que a hostilizam e perseguem” Gaudium et Spes n. 44). É uma grande verdade católica que as heresias causaram on progresso da doutrina da Igreja e que as perseguições, o crescimento da sua santidade, mas não são causas per se, às quais deveríamos agradecer por tais feitos! Não me agrada ter de usar termos tão horríveis, mas por acaso a Virgen tinha de agradecer a Caifás pela crucificação de seu Filho, haja em vista todo o bem que trouxe à humanidade? Trata-se duma zombaria satânica sobre a questão do mal, mas é precisamente o modo como funciona a dialéctica hegeliana: os contraditórios são causas per se duma síntese superior. 

Assim, o concílio agradece à Revolução Francesa por ter guilhotinado os seus clérigos, porque a Igreja aproveitou para se tornar mais democrática e agradece ao Islão por ter esquartejado os seus fiéis, porque assim se tornou mais ecuménica.

Este sistema de teorias e praxis leva a hierarquia pós conciliar a trair sistematicamente os seus fiéis e a dialogar amigavelmente com os seus perseguidores. Ignora os russos uniatas e dialoga com os cismáticos; silencia os católicos chineses martirizados e conversa com os “patriotas” nomeados pelo partido comunista; evita os cubanos anti comunistas e fuma um charuto com Fidel Castro.; convoca a Comunhão de Assis e excomunga a Tradição.

O Concílio retomou o diálogo de Eva com a serpente, que põe em causa a veracidade de Deus.

 Padre Álvaro Calderon, Prometeu, A Religião do Homem, Ensaio Sobre a Hermenêutica do Concílio Vaticano II

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